Palavras que Edificam
De boas palavras meu coração está cheio, na escrita me revelo.
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Textos

O Caminhante
A Terra ardia com o calor do sol.
O caminhante procurava abrigar-se da quentura do deserto.
O caminho era difícil. A terra afundava-lhe os pés e ele não tinha forças para continuar a
caminhada.
Elevou os olhos ao céu e clamou a Deus por socorro.
De longe avistou uma grande árvore que do nada surgia no deserto. Estava florida, carregada de frutos vermelhos e macios, porém, inacessíveis pela altura dos galhos.
Sem entender a velocidade do tempo, viu-se junto à árvore, que imóvel recebia a luminosidade vinda do céu.
Aproximou-se da árvore e acreditando que poderia ser atendido, falou:
_ Dê-me um fruto, para que eu não morra! A árvore inclinou-se deixando cair nas mãos do viajante um fruto maduro de excelente qualidade.
O homem saboreou o fruto e sentiu que suas forças voltavam. Observou novamente a árvore e disse:
_ Dê-me outro fruto, para que eu coma e não morra!
Novamente a árvore inclinou-se para atendê-lo. O homem viu descer um galho carregado de belos frutos e desejou saboreá-los estendendo a mão para arrancá-los.
A árvore cresceu até fugir dos olhos do caminhante, ultrapassando os limites das nuvens, impedindo-o de alcançar os frutos. Reconhecendo sua arrogância, o homem gritou:
_ Dê-me outro fruto para que eu continue minha viagem e não morra pelo caminho!
A árvore inclinou-se e antes do fruto cair nas mãos do caminhante, ouviu-se uma voz do alto que dizia:
_Pega os frutos que te dou, mas não os devore, pois não são destinados a ti. Leve-os contigo e reparte-os com todos que encontrares em tua jornada.
O homem recebeu os frutos e os guardou no coração. Com as forças restauradas, já não sentia fome, nem sede, cansaço ou dor. Seu corpo já não era o mesmo. Estava leve e a terra não lhe afundava os pés.
Levava consigo os frutos e por onde andava procurava a quem ofertá-los.


O caminhante –Parte II- Falsa Felicidade.

Caminhando satisfeito segue o viajante. Em seus pensamentos guarda a experiência dos últimos acontecimentos. Lembra-se dos frutos que recebeu e da sua missão: Repartir com outras pessoas os frutos ainda maduros.
Chega a uma bifurcação. Observa que a estrada o conduz a duas cidades. Para e analisa o caminho.
Na direita, vê um caminho estreito, quase sem atrativos, com pouca vegetação. Mal se dava para ver o transitar de pessoas, embora crianças ao longe entoavam um cântico nunca por ele ouvido.
Na esquerda um bosque, florido, largo e iluminado, dava para ver pessoas indo e voltando com grandes pacotes e largos sorrisos. Qual caminho seguir? Para qual cidade iria? Queria repartir os frutos, mas quem receberia algo de um estranho?
Decidiu aprovar o que os seus olhos desejavam. Dirigiu-se a cidade onde todas as pessoas pareciam estar felizes. Era ainda cedinho o sol despontava as primeiras horas da manhã.
O Caminhante notava que as pessoas iam e vinham, sempre com um sorriso largo no rosto, todos os sorrisos iguais, porém não se olhavam tampouco se comunicavam.
Eram pessoas que não tinham tempo para ouvir ou receber o que ele queria oferecer.
Cansado e com sono, sentou-se em um banco da praça. Para sua surpresa foi acordado por um guarda que dizia:
- Onde está sua credencial? Por acaso pagou por esse banco? Se for responder a essa pergunta, primeiro deposite 100 dindos, na máquina de respostas, se não for responder, deposite 50 dindos na máquina do silêncio e se retire do banco, pois é um objeto de uso particular, se deseja usá-lo deverá pagar por isso.
O Santo homem ficou sem entender, perguntou ao guarda:
-Tenho que pagar para sentar no banco da praça? O Guarda respondeu:
-Aqui nessa cidade, terá que pagar por tudo, até por mais uma informação que pedir, então se não tiver como pagar, retire-se de nossa cidade.
- Como pode ser se todos estão felizes nesse local? Pensou sufocado.
Levantou-se e continuou sua caminhada por meio do povo, observava que o sorriso que ostentavam era apenas uma pintura em seus rostos. Um garotinho aproximou-se e estendeu-lhe a mão. O caminhante ficou feliz e ofereceu-lhe um fruto que trazia consigo. O menino recusou a oferta e falou:
- A única coisa que me interessava de suas mãos são tesouros como: ouro ou pedras preciosas, essas coisas é que faziam o meu povo muito feliz.  O caminhante olha para os lados e solta uma pergunta:
-Como podem ser felizes, se vejo todos com estes sorrisos falsos? Até parecem cansados e tristonhos?
- Moço aqui compramos a felicidade. Todo o dia pagamos para ser feliz, em troca recebemos esses largos sorrisos, o Senhor deseja comprar um. Ofereceu o menino.
-Não!  Minha felicidade não é comprada, recebi gratuitamente e posso dar a você se desejar receber.
O menino chamou um dos guardas e muito aborrecido gritou:
- Peguem esse homem, e o leve para fora de nossa cidade, pois está querendo destruir nosso reino, oferecendo um produto que não se precisa pagar.
Assim os guardas de largos sorrisos, pegaram o caminhante e o arrastaram até a entrada da cidade, proibindo-lhe de novamente caminhar por ali.

Continua...



Elma Sales
Enviado por Elma Sales em 18/06/2015
Alterado em 24/09/2017


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